
Quando a próxima geração era tão à frente que até doía…
17 Fevereiro, 2008Ora bem meus caros, depois de uma longa ausência aqui estou eu a retomar a actividade de escriba ocasional por este espaço.
Posto isto, trago-vos um exemplo que muitos de vós desconhecem mas que, e pasmem-se!, demonstra a única consola da Nintendo que foi um fracasso total — e o primeiro que dizer “ah, mas eu já conheço, é a GameCube!” será embalado no Largo do Intendente com um taco de bilhar bastante rombo que é para doer para burro.

Sim, estou-me a referir a essa esperança e via para o futuro que incorporava realidade virtual — essa utopia da primeira metade do século XXI — e que dava pelo nome de VIRTUAL BOY.
Para quem não conhece, o Virtual Boy foi uma consola que devia passar por portátil — quer dizer, ela não precisa de ser ligada à televisão, parece que é portátil, mas espera lá…! Se houve quem em 2004 tivesse largado uns risos com o “brinquedinho de dois écrans” (mas que está a caminho de se tornar a consola mais vendida de todos os tempos), imaginem o que não foi em 1995 quando o criador do Game Boy, Gunpei Yokoi, depois de ter engarvelado uma quantidade pouco recomendável de sake feito a martelo, apresentou esta coisa…


Sim, foi doloroso; sim, estava melhor num hospital psiquiátrico soviético; sim, funcionava com tons de vermelho; sim, dava umas dores e cabeça e de pescoço que eram qualquer coisinha…sim, era uma valente merda, já percebemos.
No entanto, e para mostrar que ainda existia uma réstia de bom senso para os lados da Nintendo, depois de vendas desastrosas, a coisa foi descontinuada ainda antes de ter sido lançada na Europa.
Agora imaginem lá, no início da década de ‘90, era comum ver gente a jogar nos seus Game Boy um pouco por toda a parte. Substituam os Game Boy por estas carcaças cranianas e já ficam com uma ideia de como poderia ter sido o resto da década, se a coisa tivesse tido sucesso!
Depois do Famicom Disk System, depois do ROB e o seu companheiro virtual Gyromite, depois da Power Glove (it‘s so bad…), depois de um tribunal americano ter considerado ilegal o regime que a Nintendo impunha às produtoras externas que lançassem jogos para o NES nos EUA (e que significava que ao lançarem jogos para o NES, não os podiam lançar para nenhuma consola da concorrência), depois de uma tentativa falhada de criar uma drive de CD-ROM para o SNES com o nome de PlayStation e de ter vendido direitos à Philips para criar jogos execráveis com os nomes de Mario e Zelda, este foi mais um dos erros da Nintendo. Não foi o último, não, nem de longe, mas ainda não seria em 1995 que a Nintendo iria colocar os japoneses a deliciarem-se com jogos sobre o néctar dos deuses, ou sobre sake, ou que nos ensinam o fundamental da profissão de barman.



Por: Yggdrasil



















